A Guerra Secular Contra o Sobrenatural (Parte V) – A Missão Religiosa da Mulher

Por Dra. Alice von Hildebrand*
Tradução livre de Melissa Bergonso

A Missão Religiosa da Mulher

Mas deixe-me voltar à questão do feminismo, que foi uma das minhas maiores preocupações. O Feminismo começou como uma forma de revolta contra tratamentos incorretos e injustificados que as mulheres sofriam ocasionalmente, e um dos meus deleites na Cidade Universitária, dia após dia, foi quão tola meus colegas me consideravam. Por um longo período eu fui a única mulher no Departamento. E eles costumavam dizer “Uma mulher, como você pode ensinar filosofia?” É muito trágico, mas o que você pode fazer? Há uma história de cultura masculina.

Se você ler o Evangelho, as mulheres possuem um papel muito secundário. Mesmo a Santa Virgem é muito raramente mencionada e fala muito pouco. A partir do momento em que você põe um olhar sobrenatural sobre isso, você chegará à estranha conclusão de que é um privilégio ser uma mulher. É um privilégio precisamente porque, estar em segundo plano, de um secularístico ponto de vista, ser humilhada, como freqüentemente acontece, é uma tremenda vantagem sobrenatural.

Isto é algo que Santa Teresa entendeu muito profundamente. Não é verdade que ser humilhada é ser inferior. Não é verdade que ser sujeita ao seu marido é ser inferior. Se você ler o Evangelho de São Lucas, quando Cristo foi encontrado no Templo em Jerusalém e então retornou a Nazaré com Maria e José, é dito: “Ele era sujeito a eles”.

Você gostaria de estar na situação de São José ou na situação de Maria? São José tinha o pecado original e era uma criatura. Maria não tinha o pecado original e era uma criatura. E o Menino Jesus era Deus. E quem estava sujeito a quem? Deus era sujeito a estas criaturas. Não é uma posição confortável dar ordens a alguém que é Divino. Consequentemente ser submisso não significa ser inferior, mas significa absolutamente a perspectiva sobrenatural de que aceitar a humilhação é ficar muito perto de Deus, porque este é nosso caminho para o Paraíso. É uma bênção. Mas eu afirmo que as mulheres têm, particularmente, uma missão religiosa.

Por que uma missão religiosa?

Porque as mulheres, por sua própria natureza, são mais receptivas que os homens. Você percebe isso no mistério da esfera sexual. A mulher é mais receptiva, o que não significa passiva. Essa foi uma das terríveis confusões feitas por Aristóteles, de modo que ele considerou como sendo o mesmo passividade e receptividade e então declarou o homem superior à mulher, o que é um contra-senso pagão.

A mulher tem uma grande vantagem sobre o homem, ela é receptiva e religiosamente falante, receptividade é uma virtude crucial. A Santa Virgem nos ensinou que quando Ela disse na Anunciação “Faça-se em mim segundo a Vossa Palavra”, Ela não estava realizando nada, Ela apenas disse: “faça-se”. Em outras palavras, Ela era receptiva e sua receptividade permitiu ao Espírito Santo fecundá-La e naquele exato momento o Filho de Deus se encarnou no Seu ventre.

Santa Teresa de Ávila e São Pedro Alcântara dizem que muito mais mulheres que homens recebem extraordinárias graças místicas, e se você estudar a história do misticismo você ficará surpreso o quanto muito mais mulheres que homens foram místicos. Por quê? Elas são mais receptivas e você percebe, que para Deus, nós somos todas mulheres. Um santo se torna um homem santo porque ele aprendeu a ser receptivo à graça de Deus. “Dê-me a mim, Ó Senhor, eu não consigo fazê-la por mim mesmo”.

O mistério da feminilidade

A mulher é, de um modo muito particular, a guardiã da pureza, e no mundo no qual vivemos, o mundo das perversões e desastres sexuais, talvez possamos dizer que isso ocorre porque as mulheres falharam em sua missão em defesa da pureza.

E por que eu digo que ela defende a pureza e a virgindade?

Há algo muito interessante. Se você olhar na liturgia, existem Missas especiais para papas, para apóstolos, mártires, não-mártires, confessores, não-confessores e quando você se volta para a mulher, você tem somente duas categorias: virgem/não-virgem, mártir/não-mártir. Isto é algo extremamente interessante. Não há nenhuma Missa para celibatários, nenhuma, mas há Missa para virgens.

Isto indica claramente que há algo extraordinariamente grandioso e misterioso sobre a feminilidade. E por que eu digo que é tão grandioso e tão misterioso? Porque vocês todas sabem que cada garotinha que nasce, nasce com um selo, por assim dizer, protegendo o mistério da sua feminilidade, que é o ventre. Há um selo, e se você pensar bem, um selo sempre indica algo que é sagrado. O selo, que não existe no corpo masculino, é profundamente simbólico e declara que o que está velado pertence a Deus de um modo especial. Esta é uma região que é tão linda e tão profunda que não pode ser tocada, exceto com a permissão de Deus, num casamento Católico.

Quando uma garota ou uma jovem mulher é permitida dar as chaves de seu misterioso domínio, este jardim fechado, ao seu futuro marido, ela diz: “Até este momento eu tenho mantido este jardim virginal, agora Deus me deu as chaves e está me permitindo dá-las a você e eu sei que você penetrará dentro dele com trêmula reverência e gratidão”. No momento em que uma mulher é abraçada por seu marido e algumas poucas horas mais tarde ela concebe, neste exato momento algo absolutamente maravilhoso acontece, que mais uma vez elucida a grandeza da feminilidade. Nem marido nem esposa podem criar uma alma humana, apenas Deus pode.

Claro que há o sêmem masculino e o óvulo feminino. Estes são materiais reais que Deus colocou dentro dos corpos e quando eles são unidos, algo maravilhoso acontece. Deus cria uma nova alma humana, totalmente nova, que nunca existiu antes. Onde? No mistério do corpo feminino. Este é o lugar onde a alma é concebida. Não tem nada a ver com o marido. O marido está fora do jogo neste ponto e o exato momento em que Deus cria a alma o marido conclui que existe um contato especial entre Deus e o corpo feminino, por assim dizer, porque Ele o toca durante a criação desta nova alma. Mais uma vez, que extraordinário privilégio.

Cobertura sagrada

E é por isso que o corpo feminino deveria ser velado porque tudo o que é sagrado clama por cobertura. Quando Moisés desceu do Monte Sinai, ele cobriu sua face. Por que ele cobriu sua face? Porque ele tinha falado com Deus e neste exato momento houve uma sacralidade que clamou por velamento.

Agora as estúpidas feministas depois do Vaticano II de repente “descobriram” que quando as mulheres vão veladas à Igreja, é um sinal de sua inferioridade. O homem tira seu chapéu e a mulher coloca um véu. Meu Deus, como elas têm perdido o senso do sobrenatural. O velamento indica santidade e é um privilégio especial da mulher que ela entre na igreja coberta com um véu.

Veja que a Igreja reconhece coisas tão profundamente que de algum modo você pode dizer que ela tem sempre reconhecido a especial dignidade concedida às mulheres. Você não pode ser uma Cristã e não reconhecer o privilégio que é ser uma mulher, porque a mais perfeita de todas as criaturas, a única criatura nascida sem o pecado original, é uma mulher e por essa razão mais uma vez você entende o extraordinário privilégio de ser uma e ter esta imagem da Santa Virgem, que foi tanto Virgem quanto Mãe e os dois maravilhosamente ao mesmo tempo.

Virgindade e Maternidade

Não é porque se você permanecer uma virgem que você não terá filhos. As mulheres que têm mais filhos são virgens. Madre Teresa de Calcutá teve milhões de filhos. Você sabe que no melhor dos casos as mulheres podem ter 18 ou 20. Hoje elas não mais fazem isso, mas costumava ser o caso. Porém se você é uma virgem e você se dá completamente e totalmente, você se torna mãe para milhões de pessoas, pedindo sua ajuda e implorando por amor, porque, basicamente, o que é a maternidade? A Maternidade é tão santa, porque é aceitar sofrer para que alguém possa nascer e por essa razão existe um belo paralelo entre maternidade e o sacrifício da Cruz.

Cristo aceitou morrer para que nós pudéssemos renascer para a Vida Eterna. De alguma forma você consegue perceber o carisma da mulher. Ou a virgindade, que pode ser combinada com a maternidade, ou a maternidade sem virgindade são tão sublimes e são tão belas que estes dois carismas são incompatíveis com o sacerdócio. Eles simplesmente não andam juntos. No momento que você percebe que você tem uma vocação maternal, no momento que você percebe que você é chamada à virgindade, isso exclui o sacerdócio. Eles não andam juntos. Você não pode ter todos os carismas e que bênção que é o sacerdócio para os homens, porque de outra forma eles poderiam desenvolver complexos de inferioridade, o que seria uma catástrofe, pois eles não gostam de se sentirem assim. Na verdade, acho que eles ficariam muito perturbados se de repente se dessem conta da grandeza da feminilidade.

Madre Teresa de Calcutá disse “Uma mulher não pode tornar-se um sacerdote. Existe somente uma criatura na terra que poderia dizer de verdade ‘Isto é o Meu Corpo, Isto é o Meu Sangue’, a Santa Virgem e ela não foi escolhida para ser um sacerdote.” Portanto vamos aceitar e compreender que ser um sacerdote como São Paulo diz, muito explicitamente, Deus escolhe quem é para ser sacerdote e acontece que Ele escolheu o sexo masculino. Entretanto, algumas mulheres sem inteligência querem vender o privilégio de sua feminilidade, o mistério da sua feminilidade, a santidade de sua feminilidade, sua vocação materna, para se tornarem sacerdotes e roubar isso dos homens, que receberam isso pelo Próprio Deus. A Igreja sempre honrou as mulheres de uma forma extraordinária.

A dominação da desgraça do feminismo

Se você estudar a arte pagã, você verá que os pagãos glorificam os genitais masculinos. O órgão masculino era considerado um símbolo de força e poder. Se você for a Pompéia ou a Atenas, para países pagãos, verá que o órgão masculino foi sempre o único que foi honrado.

Quando a Igreja assumiu o controle, ela travou guerra contra este culto pagão. Ela o eliminou e lutou contra ele. Às vezes você encontra vestígios em culturas pagãs, mas no exato momento em que a Igreja nasceu este culto foi oficialmente eliminado, e o que ela fez? Ela colocou no lugar uma oração, uma oração rezada por milhões de pessoas, dia após dia, século após século, que faz uma referência explícita ao órgão feminino por excelência: o ventre: “Bendito é o fruto do Vosso ventre, Jesus”. Este é o lugar que a Igreja dá às mulheres na Igreja.

Portanto, vamos compreender a tremenda importância da missão que as mulheres receberam e façamo-las perceberem que elas têm que acordar para a grandeza desta missão, lutar por ela e superar a catástrofe e a desgraça do feminismo.

Eu não escolhi ser mulher, mas quanto mais eu medito na mensagem Cristã, mais eu sou grata por ser uma.

* Alice von Hildebrand é Filósofa e Teóloga Católica. Suas obras incluem: “The Privilege of Being a Woman (O privilégio de Ser uma Mulher -2002)” e “The Soul of a Lion: The Life of Dietrich von Hildebrand (A Alma de um Leão: A Vida de Dietrich von Hildebrand – 2000 – biografia de seu falecido marido)”.

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Comentários ( 15 )

  • Que pena… Não entendeu nada então sobre o que leu, pois o texto não foi escrito por uma palhaça qualquer de hoje em dia, discursando sobre como a “mulher evoluiu” no século XX-XXI, muito menos foi escrito para ser engraçado. Alice Von Hildebrand é, com e para glória de Deus, filósofa e teóloga Católica, professora e escritora. Mulher muito séria e de valores realmente cristãos! Mente brilhante e iluminada que não se deixa enganar com discursos fúteis da modernidade escrava de seus próprios vícios, mas se põe a estudar e a compreender os mistérios de Deus para a mulher.

  • Eu chorei de emoção ao ler este texto! Que beleza, que pureza, que clareza de idéias e quanto amor a Deus transparecem nessas palavras!

    Obrigada pela tradução.

    A Paz!

  • Melissa, pax!

    Uma pergunta: este texto é do livro “O privilégio de ser mulher”? Tive ele nas mãos emprestado pela Patrícia mas… infelizmente não li!

    Como está a Patrícia? Que saudade de todos!

    Santa Quaresma!

    JM

  • Oi, Julie!
    Olha, não sei se esse texto está contido no livro “O privilégio de ser mulher” (eu comprei mas ainda não li). Uma vez pesquisando na net eu cai num site com essa entrevista, e resolvi traduzir porque é muito linda. Não sei como ficou a tradução, porque meu inglês não é lá tão fantástico, mas acho que deu pra ter uma idéia.

    Depois te mando uma foto do meu vestido sim. Se você tiver orkut, pode me adicionar e ver todas as fotos que coloquei lá e pegar alguma se quiser. O único inconveniente é que todas estão com marca d’água da empresa que me filmou e fotografou, mas acho que não tem problema né?

    A Patrícia está ótima. Está esperando o 5o. bebê!! É uma menina e se chamará Rita. Acho que vai nascer em Julho. Estão todos muito felizes com a chegada do novo bebê.

    Uma Santa Quaresma para você também!!

    Fica na Paz de Cristo e no Amor de Maria Santíssma!

  • Paz!

    Que linda notícia Melissa! Realmente uma vida é o melhor presente! Que saudade de todos eles!

    Eu não uso orkut mas meu irmão tem um para o site dele, vou ver se ele consegue te encontrar lá! Não tem problema não a marca!

    Obrigada por responder sobre o texto!

    Um abraço!

    Julie Maria

  • Parabéns pela tradução, lindo texto, fivo feliz por encontrar mulheres como vc, que reconhecem o grande papel que Deus lhes concedeu.

    Luciano

  • muito bonito o texto, mas mesmo que as mulheres tenham um papel diferente dos homens eles tem de nos respeitar e nao se sentirem superiores a nos. nao sou feminista, mas contra os tratamentos injustos e incorretos nos devemos lutar, pois como o proprio nome diz e injusto e incorreto.

    • Olá, que bom que gostou do texto!

      Obviamente, os homens devem respeitar as mulheres, mas, primeiramente, as mulheres devem se dar ao respeito. Em nossa era moderna, infelizmente, enfrentamos um grande problema: a ideologia feminista, que prega a igualdade de gênero e uma falsa liberdade para a mulher fazer o que quiser com seu próprio corpo (leia-se aqui a liberdade sexual, uso de contraceptivos, a luta pela descriminalização do aborto). Como um homem vai respeitar uma mulher que prefere perder sua feminilidade, querendo se vestir, agir e se portar tal como ele, ou então se portando como um mero pedaço de carne sem nenhum tipo de vergonha ou pudor? As mulheres devem sim requerer o respeito que lhes é devido: por ser mulher, mãe, esposa. Aí reside a sua dignidade: o dom da maternidade, e é isto que está sendo recusado hoje em dia, inclusive com grande ojeriza. Quantas mulheres têm pavor de ter mais filhos? Quantas mulheres preferem uma carreira promissora a ter uma família? Quantas mulheres se orgulham de ter uma vida devassa!?!

      O homem não é superior à mulher em questão de dignidade, pois homem e mulher foram feitos à imagem e semelhança de Deus. Porém, o homem exerce um cargo hierárquico superior na família. Esta ordem foi estabelecida pelo próprio Deus e deve ser obedecida. O homem é o chefe da família, e a mulher deve estar subordinada a ele, não como escrava, obviamente, mas como auxiliar. O homem é a cabeça do lar, enquanto que a mulher é seu coração. Se essa ordem se inverte, o lar se desestrutura, e, consequentemente, a sociedade. E é o que temos visto acontecer, infelizmente. Lutar contra as injustiças todos temos que lutar, a começar por esta que fez da mulher, Rainha do Lar, escrava de sua própria vontade e de seus próprios caprichos!

      Salve Maria Imaculada!!

  • Melissa, ao ler esse texto senti uma grande paz, Obrigada por compartilha-lo. isso é uma coisa que todas as maes deviam ensinar as suas filhas e assim talvez nao houvessem tantas mulheres vazias que procuram em shopings algo que as preencha.

    • Oi, Kelen!

      Fico feliz que tenha gostado deste texto. Sim, se as mães ensinasse isso às suas filhas as mulheres entenderiam, de fato, o seu valor como mulher, como mãe, como filha de Deus. Se as mulheres compreendessem realmente a sua missão, não haveriam tantas delas gritando e blasfemando nuas nas ruas reivindicando “direitos” que não lhe pertencem, e nem tantas outras ficariam, sem necessidade, tanto tempo fora de casa, em trabalhos sufocantes e desgastantes, por conta de uma utópica “realização pessoal” e para ganhar uns “vinténs” a mais no orçamento doméstico que só alimentam seus caprichos e vaidades…

      Salve Maria Puríssima!!

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