20/05/2013

Estatuto do Nascituro: um gol contra

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Por Melissa Bergonso

Prezados leitores, Salve Maria!

Para quem está acompanhando a questão do Estatuto do Nascituro, é importante ler dois textos que o Pe. Lodi escreveu recentemente: Aos amigos do "Brasil Sem Aborto" sobre o Estatuto do Nascituro e O gol contra do Estatuto do Nascituro. Há três versões do Estatuto do Nascituro (eu não sabia disso!), sendo que a última versão não assegura completamente os direitos do bebê ainda não nascido (o Pe. Lodi explica por que), e justamente era essa versão pela qual estavam nos pedindo que enviássemos os emails aos deputados!! (agora gelei...!!)

Por favor, leiam os dois textos do Pe. Lodi para maiores esclarecimentos!! Parei geral com a campanha do Estatuto do Nascituro (PL478/2007), a menos que reformulem o texto para sua redação original como tinha proposto o Pe. Lodi!!!

Ó Maria Imaculada, que gerastes o Verbo de Deus, livrai-nos da maldição do aborto!!!!
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19/05/2013

Os dons do Espírito Santo em Maria

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Por Pe. Gabriel Roschini

1. QUE COISA SÃO


Os dons do Espírito Santo são hábitos sobrenaturais que dão às faculdades da alma tal docilidade que estas obedecem prontamente às inspirações da graça.

A diferença essencial entre as virtudes e os dons deriva da diferente maneira de operarem aquelas e estes: na prática da virtude, a graça nos deixa ativos, sob o influxo da prudência; o uso dos dons, ao invés, quando já chegamos a seu pleno desenvolvimento, requer de nossa parte mais docilidade do que atividade. Uma comparação: quem pratica a virtude navega a remo; que goza, ao invés, dos dons navega à vela, com o que anda mais depressa e com menor esforço. Os dons aperfeiçoam as virtudes teologais e morais. Quais e quantos são esses dons? São sete (Is 11, 2-3): sabedoria, inteligência, ciência, conselho, piedade, fortaleza e temor de Deus.

Deus dá, juntamente com a graça santificante, todos esses dons; dá-os, porém, a cada um em determinada medida. Só a Maria, por assim dizer, os deu sem medida. Passemo-los brevemente em revista.

Pentecostes - Maria Santíssima e os Apóstolos
"Pentecostes" - Pintura de Jean Restout (1692-1768)

2. A PLENITUDE DOS DONS EM MARIA


a) O dom de conselho aperfeiçoa a virtude da prudência, fazendo-nos julgar prontamente e com segurança, por uma espécie de intuição sobrenatural, sobre o que convém fazermos, especialmente nos casos difíceis. O objeto próprio do dom de conselho é a boa direção das ações particulares.

Admirável foi esse dom em Maria, que é chamada pela Igreja a "Mãe do Bom Conselho".

Com efeito, a alma de Maria esteve sempre voltada para Deus, de quem recebia com suma facilidade todas as aspirações, motivo por que a Ela, mais de que a qualquer outro Santo, se podem aplicar as palavras: "Tua proteção será o bom conselho e a prudência te salvará" (Prov 2, 11).

Essa prontidão de Maria em voltar-se para Deus e em receber as divinas iluminações em todas as circunstâncias de sua vida manteve em sua alma uma paz perfeitíssima.

Mas foi especialmente em duas circunstâncias que Maria Santíssima deixou conhecer o modo eminente em que possuía esse dom precioso.

Isto aconteceu, primeiro, em sua apresentação no Templo, quando, por inspiração divina, soube ser coisa agradável a Deus que lhe fosse consagrada, desde a infância, pelo voto de perpétua virgindade. Em segundo lugar, foi em sua Anunciação, quando, ao ser saudada pelo Anjo como cheia de graça e ao ser pedido o seu consentimento para o cumprimento da Encarnação, se dirigiu ao Núncio celeste para saber dele quais eram as disposições divinas a seu respeito e, conhecidas estas, se ofereceu totalmente, como serva, ao Senhor (LÉPICIER, Il piú bel fiore del Paradiso, p.68-69).

b) Passemos agora ao dom da piedade. Este dom aperfeiçoa a virtude de religião, que é anexa à justiça e produz no coração um afeto filial para com Deus e uma terna devoção às Pessoas e às coisas divinas, para fazer-nos cumprir com santa presteza os deveres religiosos.

Se nos fosse dado penetrar com o olhar no íntimo de Maria, ficaríamos maravilhados com os sentimentos de filial afeto para com Deus, nEla inspirados pelo dom de piedade. Que doçura em seus colóquios com o Esposo de sua alma!

Foi o dom de piedade que levou Maria menina a dedicar sua atividade ao serviço do Templo, que Ela, com a mesma terna piedade, venerava por cima de todas as coisas materiais. Foi o dom de piedade que lhe inspirou uma veneração especial pela Sagrada Escritura, como pelas palavras pronunciadas por seu Filho Jesus, as quais "conservava todas em seu coração".

c) O terceiro dom do Espírito Santo é a fortaleza. Este aperfeiçoa a virtude da fortaleza, dando à vontade um impulso e uma energia que a tornam capaz de operar e de sofrer alegremente e intrepidamente grandes coisas, superando todos os obstáculos.

"Se considerarmos, de um lado, a grandeza da obra a realizar-se, a que Maria fora predestinada por Deus e, de outro lado, as dificuldades inumeráveis que lhe competia afrontar, não por parte da carne, pois era imaculada, mas por parte do demônio e do mundo, veremos que teria havido motivo muito justo para Ela perder a coragem, se houvesse sido deixada entregue a suas próprias forças. Como poderia jamais uma criatura, santa sim, mas débil por natureza, achar tanta coragem para realizar uma obra tão árdua e para vencer os inimigos tão feros? Na graça de Deus, por Jesus Cristo, responde São Paulo. 

"Sim, por meio da graça que lhe será dada quase sem medida pelos méritos de Jesus Cristo, seu Filho, Maria vencerá todas as dificuldades, todo perigo e cumprirá a árdua empresa de cooperar com Cristo, no resgate do gênero humano. Essa graça a tornará inarredável, qual escolho em meio de um mar tempestuoso e fará com que Ela repouse em Deus como uma criança nos braços maternos" (LÉPICIER, 1. c.).

d) O dom do temor aperfeiçoa ao mesmo tempo a virtude da esperança e a virtude da temperança: a virtude da esperança, fazendo-nos temer desagradar a Deus e sermos separados dEle; a virtude da temperança, apartando-nos dos falsos deleites que nos poderiam levar a perdermos Deus.

É um dom, portanto, que inclina a vontade ao respeito filial de Deus, nos afasta do pecado que lhe desagrada e nos faz esperarmos em seu auxílio poderoso.

Não se trata, pois, daquele medo de Deus que nos inquieta quando nos lembramos de nossos pecados, nos entristece e perturba. Nem se trata do temor do inferno, que basta para esboçar uma conversão, porém não basta para dar acabamento à nossa santificação. Trata-se do temor reverencial e filial, que nos faz recear toda ofensa a Deus.

Grande foi, na realidade, o temor de Maria, porém não foi nada servil. Com efeito, cheia como era da graça divina e tão pura, tão santa, que castigo poderia jamais temer? Nem ao menos houve propriamente nEla aquele temor chamado casto, o qual considera a possibilidade e o perigo de perder Deus com o pecado, pois sabia que, por uma assistência especial do Espírito Santo, não podia perder a graça; pelo que o temor de Maria, à semelhança do temor de que esteve oprimida a própria alma de Cristo, era um temor reverencial, produzido por um sentimento vivíssimo da majestade infinita de Deus e de seu infinito poder.

e) Resta-nos considerar agora os três dons intelectuais: de ciência, de inteligência e de sabedoria. O dom de ciência nos faz julgar retamente das coisas criadas em suas relações com Deus; o dom de inteligência nos descobre a íntima harmonia das verdades reveladas; o dom de sabedoria nos faz julgarmos, apreciarmos e gostarmos das coisas divinas (reveladas). Todos os três têm de comum que nos dão um conhecimento experimental ou quase experimental, porque nos fazem conhecer as coisas divinas não por via de raciocínio ou reflexão, mas por meio de uma luz superior que no-las faz atingir como se delas tivéssemos a experiência.

A ciência de que se fala não é a ciência filosófica ou teológica, mas é chamada ciência dos Santos, que nos faz julgar santamente das coisas criadas em suas relações com Deus.

Pode, pois, definir-se o dom de ciência como um dom que, sob a ação iluminadora do Espírito Santo, aperfeiçoa a virtude da fé, fazendo-nos conhecer as coisas criadas em suas relações para com Deus.

O objeto do dom de ciência são, portanto, as coisas criadas enquanto nos conduzem a Deus, do qual todas provêm e pelo qual todas são conservadas. Elas são como degraus para se subir até Deus.

À Mãe de seu Filho, Deus não só concedeu uma vastíssima ciência das coisas sobrenaturais e naturais, mas infundiu também aquele instinto divino, com o qual Ela poderia apreciar com segurança o valor das coisas divinas e como todo saber humano converge para a fonte de toda verdade, que é Deus. "À eficácia desse espírito de ciência se devem especialmente aquelas profundas palavras que Maria pronunciou, quando foi saudada por Santa Isabel como a Mãe do Verbo. Além disso, se vemos que na vida, tanto privada quanto pública, de Cristo, Maria sabia discernir com certeza o verdadeiro do falso, desprezando os bens falazes do mundo e estimando em seu justo valor os trabalhos aos quais se tinha voluntariamente sujeitado pela nossa redenção, tudo isso aconteceu exatamente como efeito do dom de ciência, pelo que poderia dizer com São Paulo: "As coisas que eram ganho para mim estimei-as como perda, por causa de Cristo" (LÉPICIER, 1. c.).

f) Afim ao dom da ciência é o dom de inteligência. O dom de inteligência distingue-se do de ciência, porque seu objeto é muito mais vasto: não se restringe só às coisas criadas, mas se estende a todas as verdades reveladas; além disso, seu olhar é mais profundo, fazendo-nos penetrar (intus légere - ler dentro) no significado interior das verdades reveladas. Não nos faz, é certo, compreender os mistérios da fé, mas nos faz compreender que, não obstante sua obscuridade, são críveis, que se harmonizam bem entre si e com o que há de mais nobre na razão humana, com o que se confirmam os motivos de credibilidade.

"Como o Espírito se comprazia em escolher Maria para sua esposa, assim quis também adorná-la com o precioso dom de inteligência, para que, além da luz da fé que a iluminou acerca dos mistérios, Ela recebesse outros raios de viva luz, destinados a dar-lhe a inteligência dos mistérios divinos e especialmente daquele glorioso mistério que nEla devia realizar-se. 

"Ora, foi justamente na Encarnação do Verbo que essa resplandeceu vivíssima a seus olhos, de tal modo que, indo visitar sua prima Isabel, pode, à saudação dessa, responder em termos tão elevados e tão acertados que nos deixam entender como havia compreendido a grandeza do desígnio divino e a utilidade da Encarnação. 

"Quando, no dia da purificação, o santo velho Simeão, tomando nos braços a divina criança, profetizou que ela se iria tornar um sinal de contradição e, voltando-se para Maria, lhe revelou que uma espada de dor lhe havia de atravessar o coração bendito, oh! Maria entendeu tanto quanto uma pura criatura o podia entender nesta vida todo o plano da Redenção e percebeu como era necessário que também Ela, em união com seu Jesus, sofresse para o resgate do gênero humano. Por isso, pôde dizer com muita verdade que não teve nunca outros sentimentos senão os sentimentos de Jesus Cristo mesmo: Nós temos o senso de Cristo" (LÉPICIER, 1. c.).

g) E agora eis o mais perfeito dos três dons intelectuais do Espírito Santo, o dom de sabedoria. É um dom que aperfeiçoa a virtude da caridade e reside, ao mesmo tempo, no intelecto e na vontade, pois infunde na alma luz e calor, verdade e amor. Este dom compendia todos os outros dons, como a caridade compendia em si todas as outras virtudes.

O dom de sabedoria pode, pois, definir-se um dom que, aperfeiçoando a virtude da caridade, nos faz discernir e julgar relativamente Deus e as coisas divinas segundo seus mais altos princípios, e nos dão disso o sabor.

"Como Maria recebeu, mais que qualquer outra criatura, uma larga participação na virtude da caridade divina, assim também possuiu, com inigualável perfeição, o dom de sabedoria, pelo qual sabia discernir quase por instinto divino as coisas divinas das coisas do mundo, com aquela delicadeza de afeto própria de todo aquele ama, em todas as suas ações. Essa celeste sabedoria encheu, em seguida, sua alma de uma doçura imensa e infundiu, por fim, em suas obras exteriores um perfume do paraíso, pois está escrito que "nada de amargo existe no trato da sabedoria e conviver com ela não causa tédio, mas consolação e gáudio". 

"Quando lemos que "a Sabedoria edificou para si uma casa e levantou sete colunas", podemos entender como a espiritual e celeste sabedoria de Maria houvesse sido assinalada por sete caracteres que são, por assim dizer, outros tantos sustentáculos seus. "A sabedoria do alto é, primeiramente, pura, depois pacífica, modesta, dócil, procedendo ao modo dos bons, é cheia de misericórdia e de bons frutos; sem o hábito de criticar e alheia à hipocrisia". 

"Pense-se em quanto deviam ser sólidas as bases dessas sete colunas em Maria e com que majestade se levantava sobre elas sua sabedoria" (LÉPICIER, 1. c.).

3. CULTIVEMOS OS DONS DO ESPÍRITO SANTO!


Também a nós, como a Maria, conforme o dissemos, embora em uma medida incomparavelmente inferior, no Batismo, junto com a graça santificante, Deus bendito prodigalizou os dons do Espírito Santo. pois bem, à imitação de Maria, cultivemo-los também nós incansavelmente em nossa alma! Cultivemo-los, antes de tudo, pela prática das virtudes morais, prática que constitui a primeira condição necessária para a cultura dos dons. Cultivemo-los, em segundo lugar, combatendo estrenuamente o espírito do mundo, que é diametralmente oposto ao espírito de Deus, lendo, meditando as máximas evangélicas e conformando às mesmas nosso próprio procedimento.

Cultivemo-los, finalmente, pelo recolhimento interior, isto é, pelo hábito de pensar frequentemente em Deus, que vive não somente vizinho a nós, mas em nós e, assim recolhidos, nos será mais fácil escutarmos a voz do Espírito Santo e segui-la.

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ROSCHINI, G. Instruções Marianas. Tradução de José Vicente. São Paulo: Edições Paulinas, 1960, p.176-181.
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13/05/2013

13 de Maio - Nossa Senhora de Fátima

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Por Melissa Bergonso

Hoje comemoramos 96 anos das aparições de Nossa Senhora em Fátima, aos pastorinhos Lúcia, Jacinta e Francisco. Assim como em tantas aparições [aprovadas pela Igreja], também em Fátima Maria Santíssima veio exortar o mundo à oração, à penitência, à conversão. Mas por quê? Porque a humanidade está ofendendo sobremaneira a Deus, e é preciso que os homens peçam perdão de seus pecados e se emendem, conforme disse a própria Mãe de Deus, pois "Nosso Senhor está muito ofendido."

Os pecados da humanidade que ofendem sobremaneira a Deus são, especialmente, os pecados da carne que, segundo a própria Virgem, são os pecados que mais levam as almas para o inferno. E ainda, Nossa Senhora também alertou sobre uma questão que poucas pessoas dão importância hoje em dia e que contribuem para estes tipos de pecado: as modas indecentes. Disse a Puríssima Virgem que "Virão modas que ofenderão muito Nosso Senhor. As pessoas que servem a Deus não devem seguir essas modas. A Igreja não tem modas. Nosso Senhor é sempre o Mesmo."

As modas atuais ofendem muito a Nosso Senhor porque, longe de guardarem o recato, o pudor e auxiliar na modéstia cristã, são modas indecentes, sensuais, rebeldes, provocantes. As vitrines das lojas não nos negam! Basta passear em Shoppings Centers para vermos coisas pra lá de esdrúxulas e indecentes nas vitrines, e não somente para mulheres adultas como também para crianças! Eu já me deparei com roupas infantis que me fizeram ter horror ao que eu estava vendo, pois eram roupas totalmente sexualizadas... para crianças de 6-8 anos! Ensinou Pio XII que "a moda não pode jamais ser uma ocasião próxima de pecado"[1]. E o que temos visto hoje senão roupas que propiciam ocasiões de pecado? Disse Jesus: "Eu, porém, vos digo: todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher, já adulterou com ela em seu coração" (Mt 5, 28). Com efeito, quando uma mulher veste roupas sensuais e indecentes esses olhares de cobiça se tornam muito fáceis de acontecer. Roupas coladas, justas, sejam elas vestidos, saias, ou mesmo calças compridas - que delineam as partes íntimas femininas em praticamente 99,9% dos modelos - são roupas que propiciam ocasiões de pecado grave, e por assim ser, ofendem sobremaneira a Deus. É por isto que precisamos fazer apostolado pela modéstia cristã, pois, entre tantos pedidos, Nossa Senhora de Fátima também veio nos pedir a modéstia no vestir. É importante dizer que combater o uso de roupas indecentes e defender a modéstia cristã no vestir jamais é uma questão de "imposição de vontade", como muitas pessoas argumentam por aí, mas sim uma norma de caridade.

"Vesti com modéstia e muito pudor, olhai como veste a Mãe do Senhor."

Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós!

Rezemos o Rosário neste dia em desagravo de todos os pecados cometidos contra o Sacratíssimo Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria Santíssima.

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[1] Pio XII, Discurso aos participantes do I Congresso de Alta Moda, 1957, apud PINHEIRO, Pe. Daniel. [Instrução] A modéstia na Igreja. Acesso em 13/05/2013.
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12/05/2013

Litania da Beleza de Maria Santíssima, a mais bela de todas as mães!

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Por Melissa Bergonso

Nossa Senhora do Bom Remédio - Escultura de Francisco Romero Zafra
N.S. do Bom Remédio - Escultura de Francisco Romero Zafra
Hoje é Dia das Mães. Rezemos por nossas mães, vivas e falecidas. Lembremos também, neste dia, de modo especial, de nossa Mãe do Céu. O quanto Ela tem nos ensinado! Quanto não devemos, nós, aos seus cuidados maternos para conosco, para com nossas almas? Quer ser uma boa mãe? Imita em tudo Maria Santíssima. Ela é exemplo e esplendor de todas as virtudes e de toda beleza! Quem nunca achou sua mãe terrena a mais bela de todas as mães? "Minha mãe é a mais bonita!!" Toda criança já proferiu esta sentença ao menos uma vez na vida. E como essa frase é bela! É como uma brisa suave e um carinho profundo feito no coração da mãe que a escuta. A fala de uma criança é a mais pura, vem do fundo alma, ela fala com convicção "minha mãe é a mais linda!!"... E olhando com meus olhos espirituais para minha e nossa Mãe do Céu, eu também digo, com coração de menina: minha Mãe é a mais Linda!!! Linda, belíssima! A mais bela de toda a criatura já criada em todo o universo! Maria Santíssima é a obra-prima de Deus! Não há, não existiu e nem nunca existirá uma criatura mais bela do que Ela. Falando sobre os privilégios de Maria Santíssima, Pe. Roschini afirma que:

[...] se fosse dado a cada filho poder escolher e preparar sua própria mãe, como a escolheria e a faria bela, perfeita, enriquecida com os valores mais raros! Pois bem, Deus podia fazer e fez, de fato, o que nós não podemos fazer. Podia escolher e criar para si a Mãe que seria sua. E não há dúvida de que devia escolhê-la e formá-la digna de si mesmo, isto é, perfeita. Bastariam, pois, essas reflexões para logo reconhecer em Maria a obra-prima de Deus. "Una est perfecta mea", diz Deus nos Cântico dos Cânticos. "Uma é a minha obra-prima": Maria. De fato, revestiu-a de tais e tantas perfeições que a tornou, como diz Santa Matilde[1], um microcosmo, um pequeno mundo, em cuja criação pôs maior solicitude do que no criar o universo. Ela é como um compêndio admirável de todas as perfeições espalhadas por Deus na criação, no mundo visível e invisível.[2]

E já que Nossa Senhora, a mais bela e perfeita de todas as mulheres, é verdadeiramente nossa mãe, como homenagem do * Mulher Católica * à nossa amada Mãe do Céu, e também à todas as mamães que acompanham este blog, transcrevo abaixo um texto escrito por Santo Afonso Maria de Ligório: a Litania da Beleza de Maria Santíssima! É impossível não verter lágrimas torrenciais dos olhos ao final do texto!

Peçamos à Puríssima Virgem para que Ela interceda por nós e nos ensine a sermos boas e santas mães! Que nós, mulheres católicas, pelo nosso esforço de imitarmos Maria Santíssima em tudo, possamos ter, pelo menos, um tracinho de Sua refulgente beleza estampada em nossas almas e em nossos corações, para que assim possamos refletir, nem que seja de modo desbotadamente pálido, a beleza de nossa Mãe do Céu!

Ó rainha dos anjos, como o céu vos fez bela, perfeita! Vós sois tão bela, tão cheia de graça, que vossos atrativos divinos arrebatam os corações. Quando vos contemplamos, tudo mais nos parece feio e disforme, toda beleza se eclipsa, toda graça empalidece, como desaparecem as estrelas ao nascer do sol. Beleza da natureza, flor e pérola de todas as criaturas, encanto, ornamento de toda a criação, imagem e espelho de Deus, vós tendes os lábios de Sara, cujo sorriso alegra o céu e a terra; o doce e terno olhar da fecunda Lia, com o qual vós feris o coração de Deus; o esplendor do rosto da bela Raquel, que eclipsa os raios do sol; as graças e os encantos da discreta Abigail, com os quais aplacais a cólera de Deus, irado com nossos pecados; a vivacidade e a força da valorosa Judite, que vos fazem triunfar dos corações mais obstinados. Augusta Soberana, do oceano imenso de vossa beleza derivam os rios de beleza e de graça para todas as criaturas. É imitando o ouro de vossos belos cabelos, cujos cachos descem com admirável descaso sobre vosso colo e vossas espáduas de marfim, que o mar aprendeu a irisar tão esplendidamente suas vagas. A inalterável serenidade de vossa fronte, a calma e a paz que reinam em vossa face, ensinaram às nossas fontes transparentes a permanecerem firmes e tranquilas em seus profundos mananciais. Para fazer brilharem com mais luz suas linhas radiosas, para matizar suas várias cores, para arquear-se com mais graça, o arco-íris se esforça por imitar a imagem formosa de vossa pessoa. A brilhante estrela da manhã e a da tarde são centelhas de vossos olhos. O lírio de prata e a rosa purpurina roubaram as cores de vossas faces. A púrpura e o coral almejam ciumentos pelo encarnado de vossos lábios. O leite mais doce, o mel mais precioso procedem de vossa boca. O jasmim odoroso e a rosa perfumada de Damasco tomaram seus doces perfumes de vosso hálito. Em uma palavra, ó minha Rainha, toda beleza criada é uma sombra e imagem de vossa beleza. O céu e a terra se põem a vossos pés; são tão pequenos e vós sois tão grande, que os enriqueceis, tocando-os. A estrela de prata se estima feliz por servir-vos de escabelo e a irradiação do sol se torna mais resplandecente quando vos envolve em seus raios, como em um manto. Ó belo céu, céu puro e sereno, que haveis encerrado em vós a imensidade dAquele que o universo adora sem poder contê-lo! Ó belos olhos que conquistaram os corações! Ó lábios purpurinos que escravizam as almas! Ó mãos cheias de flores e de graças! Ó criatura sem defeito, que eu teria tomado como Deus, tal é em vós o ar de divindade, se a fé não me ensinasse que não sois Deus! Ó Maria, bela sobre todas as criaturas, amável, depois de Jesus, mais do que tudo que há de mais digno de amor; preciosa mais do que toda a criação; graciosa mais do que a própria graça; lançai sobre mim um olhar de amor, um só olhar e isso me bastará![3]

FELIZ DIA DAS MÃES!!!!

Salve Maria Santíssima, nossa amada Mãe do Céu, a mais bela de todas as mães, a Bendita entre todas as mulheres[4]!!

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[1] Revelationes, c. 42, Paris, 1513, f. 164.
[2] ROSCHINI, G. Instruções Marianas. Tradução de José Vicente. São Paulo: Edições Paulinas, 1960, p.117-118.
[3] Santo Afonso Maria de Ligório apud ROSCHINI, Ibidem, p.205-206.
[4] Lucas 1, 42.
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Maria, Mãe espiritual dos homens

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Por Pe. Gabriel Roschini

Nossa Senhora Rainha - Mãe de Jesus e Mãe do gênero humano
Na vida de São José Cafasso se descreve uma cena deliciosa. Para acender no coração das crianças o mais ardente amor filial a Maria, nossa Mãe, perguntava aos pequenos: "Quantas mães têm vocês? Em geral, respondiam, como era de esperar, que só tinham uma. O santo dizia: Não! Pensem bem... Vocês têm mais de uma. Se os meninos lembravam, então, além da mãe, a avó ou a tia, replicava ele: Não, não! Eu falo de mãe verdadeira, insistia. Quando não conseguiam dar a resposta esperada, deixava-os refletir um momento e quebrarem a cabeça. Em seguida, acrescentava: Eu sei qeu vocês sabem, mas, como não me querem dizer, prestem um pouco de atenção, para ver se eu adivinho. Mães, vocês têm duas: uma, que está em casa e que lhes quer muito bem; a outra é a que vocês têm no céu, é Nossa Senhora, que lhes quer mais bem ainda. Não é verdade? Respondiam todos que sim; replicava o santo: Bem disse eu que vocês sabiam; mas não queriam dizer". E aproveitava a ocasião para exortá-los a amar a Virgem Santíssima com coração de filhos.

Sim, além da mãe terrena, temos uma mãe celeste, pois que, além da vida natural, temos em nós a vida sobrenatural da graça divina, que é incomparavelmente mais nobre.

Observa justamente um célebre Mariólogo[1] que, em todas as línguas, entre tantas palavras que as compõem, há uma que forma por si só um poema de amor; é uma palavra que fala ao coração e só ao coração; uma palavra que não inspira senão amor; uma palavra tão doce, tão suave, que se pronuncia com dois beijos, pois os lábios se tocam, ao pronunciá-la, duas vezes; é a palavra mamãe! (mamma)!

É a primeira que brota dos lábios e, geralmente, é também a última que aí se extingue, pois se observa frequentemente nos moribundos este fenômeno psicológico: a invocação de sua mãe. Isto se observa não somente nos meninos, mas também nos jovens e, ainda, nos adultos e nos velhos. Homens feitos, que já têm esposa, que têm mesmo filhos, naquele momento chamam apenas pela mãe.

Esta palavra tão doce traz à nossa mente a pessoa mais querida da nossa vida. A ideia despertada por essa palavra nos acompanha através de todas as idades, fonte inesgotável de alegria, de sacrifícios e de amor. Para a criança, a mãe é tudo; para o jovem, é um freio poderoso contra suas paixões tumultuosas; para o transviado, é um apelo ao arrependimento, ao dever; para o homem maduro, é fonte de doces recordações, de lembranças inesquecíveis. A mãe é como o sol que ilumina e alegra toda a jornada de nossa trabalhosa vida terrena.

Pois bem, Maria é nossa mãe. Este é tanto o sentimento, quanto a convicção prática de todos os católicos.

Em que sentido Maria é nossa Mãe


1. Sentidos incompletos


Mas, em que sentido estamos nós acostumados a chamar a Maria de nossa Mãe? Há alguns que pensam ser Maria nossa Mãe especialmente pelo amor, pelos cuidados maternais de que usa para conosco. É muito pouco.

Outros, mesmo muitos, creem que Maria é nossa Mãe adotiva, tendo-nos Ela adotado por filhos. Também este sentido é insuficiente. Dizer simplesmente que Maria é nossa Mãe adotiva, embora isto seja verdade porquanto não é nossa mãe natural, não exprime bastante toda a grande realidade de sua maternidade a nosso respeito. A mãe adotiva não tem, realmente, senão uma relação afetiva com seu filho, e alguns direitos sobre ele: não foi ela que transmitiu a vida ao filho adotivo.

2. O sentido verdadeiro


Maria é, ao invés disso, nossa Mãe verdadeira, não propriamente carnal, mas espiritual; não natural, mas sobrenatural. Esta verdade é a consequência lógica, necessária, da cooperação de Maria para a nossa redenção, ou seja, nossa regeneração para a vida da graça.

Com efeito, mãe é aquela que coopera para dar a vida e, quando a tem dado, a protege, até que haja atingido seu pleno desenvolvimento. Ora bem, a Virgem Santíssima cooperou com o Redentor divino para dar-nos a vida sobrenatural da graça, vida divina da qual, desgraçadamente, havíamos sido privados pelo pecado de nossos primeiros pais. Com efeito, a graça é princípio de vida, princípio vital; é para a alma o que a mesma alma é para o corpo. É a alma que dá ao corpo o vigor, o movimento, em uma palavra, toda sua vida. De modo semelhante, é a graça que dá à alma uma vida nova, a vida dos filhos adotivos e dos amigos de Deus; por isso, é chamada com justiça a alma de nossa alma.

Isto posto, é evidente que, desde o momento em que a Virgem Santíssima cooperou para nos obter a vida da graça nós devemos saudar nEla a fonte de nossa vida sobrenatural, nossa mãe verdadeira.

É verdade que não existe dessa grande e consoladora verdade uma definição explícita e solene da Igreja. Mas, os Sumos Pontífices têm muitas vezes feito referência a isso como a uma verdade indiscutível. Assim, para citar somente os mais recentes, Bento XIV, Pio IX, Leão XIII e São Pio X, Pio XI e Pio XII, falaram de modo que suas palavras não deixam mais lugar a nenhuma dúvida a respeito da verdade da maternidade espiritual da Virgem Santíssima.

Nada mais justo, pois, tanto a Sagrada Escritura, quanto a Tradição, com os aplausos entusiásticos da razão, também são muito claras e explícitas sobre essa tese.

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[1] CAMPANA, E. Maria nel Dogma Cattolico, P. I q.1, art.4, n.1.

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ROSCHINI, G. Instruções Marianas. Tradução de José Vicente. São Paulo: Edições Paulinas, 1960, p.71-73.

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09/05/2013

São Tomás de Aquino: Exposição sobre o Credo » Subiu aos céus e está sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso

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Por Santo Tomás de Aquino

Depois de se afirmar a Ressurreição de Cristo, convém crer na sua Ascensão, pois Ele subiu para o céu após quarenta dias de ressuscitado. Eis porque se diz no Credo: "Subiu aos céus." Devemos considerar as três características principais deste acontecimento, isto é, que ele foi sublime, racional e útil.

Foi sublime, porque Ele subiu para os céus. Explica-se isto de três maneiras.

Primeiro, porque Ele subiu acima de todos os céus corpóreos[1], conforme se lê em São Paulo: Subiu acima de todos os céus (Ef 4, 10). Tal ascensão foi realizada pela primeira vez por Cristo, porque até então o corpo terreno estivera somente na terra, sendo o paraíso, onde esteve Adão, situado também na terra.

Segundo, porque subiu sobre todos os céus espirituais, isto é, acima das naturezas espirituais, como se lê também em São Paulo: Colocando (o Pai) Jesus à sua direita nos céus, sobre todo Principado, Potestade, Virtude, Dominação e acima de todo nome que se pronuncia não só neste século, mas também nos futuros, e tudo colocou sob os seus pés (Ef 1, 20).

Terceiro, porque subiu até o trono do Pai. Lê-se nas Escrituras: Eis que vinha sobre as nuvens do céu como um Filho de Homem; Ele dirigiu-se para o Ancião, e foi conduzido á sua presença (Dan 7, 13). Lê-se também em São Marcos: E o Senhor Jesus, depois de lhes ter falado subiu ao céu, e sentou-se à direita de Deus (Mr 16, 19).

A expressão direita de Deus não deve ser entendida em sentido corporal, mas em sentido metafórico. Enquanto Deus, diz-se que Cristo está sentado à direita de Deus, porque é igual ao Pai; enquanto homem, diz-se que Cristo está sentado à direita do Pai, porque goza dos melhores bens. O diabo aspirou também semelhante elevação, como se lê em Isaías: Subirei ao céu, acima dos astros de Deus colocarei o meu trono; sentar-me-ei no Monte da Promessa, que está do lado do Aquilão; subirei acima da elevação das nuvens, serei semelhante ao Altíssimo (Is 14, 13-14).[2] Mas a tal altura não se elevou senão Cristo, razão pela qual se diz no Credo: Subiu aos céus e está sentado à direita do Pai, o que é confirmado no Livro dos Salmos: Disse o Senhor ao meu Senhor, senta-te à minha direita (Sl 109, 1).

A Ascensão de Cristo foi racional por três motivos.[3]

Primeiro, porque o céu era devido a Cristo por exigência da sua natureza. É, com efeito, natural que cada coisa retorne à sua origem. Cristo tem sua origem em Deus, que está acima de todas as coisas, conforme Ele mesmo disse: Saí do Pai, e vim ao mundo; deixo agora o mundo e volto para o Pai (Jo 16, 28). Disse também: ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do Homem que está no céu (Jo 3, 13).

Apesar de os Santos irem para o céu, todavia não o fazem como Cristo: porque Cristo o fez por seu próprio poder; os santos, porém, levados por Cristo. Lê-se no Livro dos Cânticos: Leva-me na Vossa sequência (Cant 1, 4).

Pode-se explicar de outra maneira porque se diz que ninguém subiu ao céu a não ser Cristo: os Santos não sobem senão enquanto membros de Cristo; que é a cabeça da Igreja, conforme está escrito em São Mateus: Onde estiver o corpo, aí as águias se congregarão (Mt 24, 28).[4]

Em segundo lugar, a Ascensão de Cristo foi racional devido à sua vitória. Sabemos que Cristo veio ao mundo para lutar contra o diabo, e o venceu. Por isso mereceu ser exaltado sobre todas as coisas. Confirma-o o Apóstolo: Eu venci, e sentei-me com o Pai no seu trono (Ap 3, 21).

A Ascensão de Cristo foi racional, em terceiro lugar, por causa da humildade de Cristo, que, sendo Deus, quis fazer-se homem; sendo Senhor, quis suportar a condição de escravo, fazendo-se obediente até à morte, segundo se lê na Carta aos Filipenses (2, 6-8), descendo ainda até ao inferno. Por isso mereceu ser exaltado até ao céu e sentar-se à direita de Deus. A humildade é, com efeito, o caminho da exaltação, como se lê em São Lucas: Quem se humilha, será exaltado (Luc 14, 11). Escreveu também São Paulo: O que desceu do céu, este é o que subiu acima de todos os céus (Ef 4, 10).

A Ascensão de Cristo foi, além de sublime e racional, também útil. Essa afirmação pode ser esclarecida em três dos seus aspectos.

O primeiro, refere-se ao fim da Ascensão, pois Cristo foi para o céu para nos conduzir até lá. Desconhecíamos o caminho, mas Ele no-lo ensinou. Lê-se: Subiu abrindo o caminho na frente deles (Mq 2, 13). Subiu ao céu também para nos fazer seguros da posse do reino celeste, conforme se lê em São João: Vou preparar-vos o lugar (Jo 14, 2).

O segundo, refere-se à segurança que a Ascensão nos trouxe, pois subiu aos céus para interceder por nós. Lê-se: Subiu por si mesmo ao Deus sempre vivo para interceder por nós (Heb 7, 25). Lê-se também: Temos um advogado junto do Pai, Jesus Cristo (1 Jo 2, 1).

O terceiro, para atrair a si os nossos corações, segundo está escrito em São Mateus: Onde está o teu coração está o teu tesouro (Mt 6, 21), e para que desprezemos as coisas temporais, como nos exorta o Apóstolo S. Paulo: Se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus; saboreai as coisas do alto e não as da terra (Col 3, 1-2).

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[1] "São Tomás fala conforme o sistema dos antigos que distinguiam muitos céus materiais, como nós distinguimos troposfera, estratosfera, ionosfera... A ascensão de Cristo — acima de todos os céus materiais — significa que Ele saiu do cosmos." (Le Credo, Saint Thomas d'Aquin. Introduction, traduction et notes par un moine de Fontgombault. Nov. Ed. Latines, Paris, 1969, p. 230). Na Suma Teológica S. Tomás explica o que seja "subir acima de todos os céus: quanto mais alguns corpos participam da divina bondade, tanto mais estão acima da ordem corporal, que é a ordem loca. [...]. Mais participa da bondade divina um corpo pela glória, que qualquer corpo natural pela forma da sua natureza. Ora, entre os demais corpos gloriosos, é evidente que o corpo de Cristo refulge por maior glória. Portanto, foi convenientíssimo a ele que fosse constituído sobre todos os corpos do alto. Comentando a carta aos Efésios, capítulo IV, — Subindo ao alto —, assim lê-se na glossa: Isto é, pelo lugar e pela dignidade." (Suma Teológica, III, q.57,a.4, c).

[2] Assim precisa S. Tomás, na Suma Teológica, o sentido da expressão direita de Deus: "Sentar-se à direita de Deus não significa estar simplesmente na bem-aventurança eterna, mas possuir a bem-aventurança com certo poder dominativo, quase próprio e natural. Esse poder só a Cristo convém, não a nenhuma outra criatura." (Suma Teológica, III, q.58, a.4, ad.2).

[3] Apesar de toda a exposição do Credo, feita aqui por São Tomás, ser no sentido de um trabalho teológico, no qual ele usa argumentos muito simples e acessíveis ao senso comum, quis ressaltar mais, neste ponto, a conveniência da Ascensão de Cristo, analisando-a por motivos racionais. Esses motivos procuram sempre explicar um texto da Sagrada Escritura. A teologia não é apenas uma explicação filosófica ou histórica da Revelação, mas é principalmente o esforço da inteligência humana para penetrar o sentido racional da Palavra de Deus revelada. Como a inteligência humana procura a verdade pelo raciocínio lógico e certo, a teologia é uma ciência especulativa coerente e racional. O objeto da ciência teológica refere-se "a Deus principalmente; às criaturas conforme referem-se a Deus como princípio e fim." (Suma Teológica, I, q.1, a.3, ad.1). A teologia é ciência superior a todas as outras, quer às ciências especulativas, quer às ciências práticas, quanto à certeza das suas conclusões e quanto à dignidade do seu objeto (Cf. Suma Teológica, I, q.1, a.5). Porque a teologia apresenta a última e satisfatória explicação das coisas na última causa, que é Deus, é chamada de Sabedoria. "Esta doutrina (isto é, a teologia) é máxime a sabedoria entre todas as sabedorias humanas, não apenas em uma determinada ordem, mas de um modo absoluto." (Suma Teológica, I, q.1, a.6, c).

[4] O mesmo texto escriturístico (Mt 24, 28) é interpretado por São Tomás, anteriormente, com pequena diferença. "[...] a meditação dos mistérios da Encarnação aumenta em nós o desejo de nos aproximarmos de Cristo. Se alguém, irmão de um rei, dele longe estivesse, naturalmente desejaria aproximar-se dele, estar com ele, permanecer junto dele. Ora, sendo Cristo nosso irmão, devemos desejar estar com Ele e nos unirmos a Ele. Com relação a esse desejo, lê-se em S. Mateus: Onde quer que esteja o cadáver, aí se apresentarão os abutres (Mt 24, 28)." (Santo Tomás de Aquino. Exposição sobre o Credo. 4ª Edição. São Paulo: Edições Loyola, 1997, p.43).

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Santo Tomás de Aquino. Exposição sobre o Credo. Tradução e notas: D. Odilão Moura, OSB. 4ª Edição. São Paulo: Edições Loyola, 1997, p.59-61.
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01/05/2013

Vamos, neste mês de Maio, conhecer, amar e honrar mais ainda nossa amada Mãe do Céu?

4 comentários:
Por Melissa Bergonso

Nossa Senhora da Imaculada Conceição - 15 Mistérios do Rosário
Hoje começa o mês de Maio, mês dedicado a Nossa Senhora. Que tal aproveitar este mês para conhecer, amar e honrar mais ainda nossa amada Mãe do Céu? Você pode fazer algumas orações a mais que não costuma fazer nos outros meses, leituras e meditações próprias sobre Maria Santíssima. Algumas sugestões:

  • Rezar o Rosário completo todos os dias (Mistérios Gozosos, Dolorosos e Gloriosos). Tem gente que tem preguiça de rezar os 15 Mistérios do santo Rosário porque acha demorado e mesmo cansativo, mas eu posso garantir que quando rezamos o Rosário de Nossa Senhora com amor e devoção, esta maravilhosa oração nos é fonte de infinitas graças, nos enche de paz interior, nos faz saborear o encanto do céu e nos leva a amar Maria Santíssima de forma inigualável. Esta oração é tão poderosa e tão rica que a própria Virgem Santíssima proferiu as seguintes palavras ao Beato Alano de La Roche: "Quando você reza o Rosário, os Anjos regozijam-se, a SANTÍSSIMA TRINDADE deleita-Se, meu Filho alegra-Se e eu estou mais feliz do que se pode imaginar. Depois do Santo Sacrifício da Missa, não há nada na Igreja que eu amo mais que o Rosário." (São Luís Maria G. de Montfort. O Poder, Valor e Santidade do Rosário. In O Segredo do Rosário. Belo Horizonte: Editora da Divina Misericórdia, 1997, p. 150).
  • Fazer leituras e meditações sobre Nossa Senhora. É de grande proveito e excelente para a alma lermos livros que os santos escreveram sobre Maria Santíssima, pois este tipo de leitura nos ajuda a meditarmos com ternura e suavidade sobre a vida, as virtudes, e as graças singulares de Nossa Senhora. Quanto mais nos aproximarmos de Maria, mais nos aproximaremos de Nosso Senhor Jesus Cristo e tanto mais caminharemos em direção à perfeição espiritual. Alguns livros que eu indico para leitura e meditação: Glórias de Maria (Santo Afonso de Ligório), Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem (São Luís Maria G. de Montfort). Cada dia você pode fazer a leitura e meditação de um trechinho de algum dos livros. No Glórias de Maria, ao final do livro, há um roteiro de leituras para serem feitas para cada dia do mês de Maio intitulado "MAIO COM MARIA". São leituras que sempre terminam com uma oração a Nossa Senhora.
  • Estudar sobre Maria Santíssima. Isto é algo que pouca gente faz, geralmente as pessoas preferem se aplicar somente às devoções marianas populares, sem um estudo mais profundo sobre Maria Santíssima. Porém, estudar sobre Nossa Senhora faz um bem imenso à nossa alma, ao nosso coração e ao nosso intelecto! Como diz Pe. Roschini, "para amar sempre mais Maria e servi-la sempre melhor, é necessário conhecê-la, é necessário aprofundar-se, em toda sua magnificência, o grande e inefável mistério de Maria. E o meio ordinariamente mais eficaz para se adquirir esse conhecimento é o estudo." (Pe. Gabriel Roschini, O.S.M. Instruções Marianas. São Paulo: Edições Paulinas, 1960, p.7-8). E ainda: "o estudo da Virgem Santíssima nos facilita o conhecimento e o amor da mesma Virgem. Não se ama senão o que se conhece. Não se ama senão imperfeitamente aquilo que só se conhece imperfeitamente. Quem quiser, portanto, amar Maria, quem quiser amá-la perfeitamente, terá necessidade de conhecê-la e de conhecê-la, tanto quanto for possível, perfeitamente." (Ibidem, p.11). Então, pois, para o estudo da Santíssima Virgem, indico este maravilhoso livro Instruções Marianas do Pe. Roschini. Nele você encontrará todo um roteiro e temas de estudo que ele mesmo planejou e sistematizou.

Que este mês de Maio seja um santo mês para todos nós!!
Salve Maria Santíssima!!!
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